quinta-feira, 21 de maio de 2015

Para o avião que quero descer


Um acontecimento inusitado naquela quarta de manhã.

Viagem para Salvador resolvida, passagem nos eixos, check in realizado via internet, em casa, como manda a boa regra da vida moderna, e lá vamos nós para o aeroporto.
Despachadas as bagagens, chamada para embarque, apresentamo-nos devidamente na fila de prioridade e seguimos para o avião que vimos no pátio. Conosco, por puro acaso, uma senhora que conhecíamos e que ia também para Salvador. 

Sentados, acomodados, eis que chega um senhor para o assento onde já estava meu marido. Checamos os números, ambos corretos, acionados os comissários, vimos que o nosso avião era outro. Tomamos o bonde errado...ô, amolação!

Saímos depressa, sob gozações de alguns passageiros conhecidos, mas sem achar graça alguma naquele episódio. Ao contrário, danados da vida com a falta de informação que beira a falta de respeito dessas empresas aéreas com os passageiros. No momento do embarque, e fomos os primeiros daquela fila, o único avião à vista era aquele que tomamos. Depois me lembrei de que aeronave certa estava no pátio, mas com um enorme caminhão na frente. Claro, nunca iria me imaginar embarcando ali. No momento, não tive dúvidas, encaminhei-me ao outro, levando a erro meu marido e a outra senhora.

Pois bem. Detectado o equívoco, seguimos para a outra aeronave, desta feita bem visível, e, ao entrar, já refeita da raiva que, graças a Deus, é de má qualidade, porque dura muito pouco, perguntei bem alto aos comissários que se encontravam aa porta: Como já pegamos um bonde errado, logo ali, esse avião vai para Salvador?

Os passageiros que estavam nas poltronas dianteiras caíram na risada. E nós também.
Acomodei-me, como pude, naquele espaço mais do que apertado e sosseguei meu espírito.

Entretanto, como a imaginação só cessa quando quer, de repente, ri sozinha, ao ver nitidamente a confusa cena: em pleno voo, ouço aquele tradicional bem-vindos a bordo do voo 1230, com destino a Guarulhos e, em seguida, meu brado aflito: Para, para, quero descer. Não quero ir pra Guarulhos. Vou pra Salvador. Peguei o avião errado, gente, depressa...


Maria Francisca – maio de 2015.
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