sábado, 12 de março de 2016

CANTIGAS DA PRISÃO

Para Sidemberg

Sabia voar.
Poderia ser uma águia
Perdi minha essência e naufraguei.
Meu lado avesso venceu.

Queria luz, procurei trevas.
E trevas encontrei no meu deserto,          
Onde vento e silêncio espalham areias,
As saudades do meu eu que perdi
E ferem meus olhos

Pensei no ritmo, esqueci o rumo.
Sem prumo, nas trevas, cambaleio.
Falta ritmo, falta rumo
E a madrugada não vem.

Dizem que sou bandida. Não creio.
Condenada estou, eu sei.
Mas preciso de outro olhar
Compassivo, curativo, renovador.

Sofrida, sou, não nego, mas canto,
Pra afastar o desalento e o pranto
Que teima em escorrer n’alma
Enquanto olhos secos vigiam
A noite escura.

Maria Francisca – 18/11/2014, após assistir à apresentação do coral “Maria, Marias”,  das presidiárias de Cariacica.




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